
Relatório da Earth Action estima que a ingestão média individual seja de cerca de 130 miligramas por ano no mundo
Quase 1.000 toneladas de microplásticos estão migrando anualmente das embalagens para os alimentos e bebidas que elas contêm, segundo uma nova análise. O relatório publicado pela Earth Action em colaboração com a rePurpose Global estima que a ingestão média individual seja de cerca de 130 miligramas microplásticos por ano.
O documento afirma que a exposição a microplásticos provenientes de embalagens de alimentos e bebidas é mais concentrada e mais passível de prevenção do que se entendia anteriormente.
O estudo argumenta que um pequeno número de formatos de embalagens e condições de estresse responde por um uma parcela desproporcional das emissões, indicando oportunidades claras para lidar com a questão.
Por exemplo, o estudo afirma que garrafas de tereftalato de polietileno (PET) representam aproximadamente um terço da exposição total relacionada às embalagens. A pesquisa acrescenta que a exposição à luz solar e à radiação ultravioleta pode aumentar a liberação de partículas nos alimentos ou bebidas em até duas ordens de magnitude.
Também afirma que o estresse térmico causado por envase a quente ou pelo aquecimento em micro-ondas pode enfraquecer o material e elevar significativamente o desprendimento de partículas.
Os pesquisadores também destacam uma lacuna crítica nas regulamentações de segurança alimentar, uma vez que as normas atuais praticamente não consideram nem a liberação de partículas nem um perfil combinado de exposição.
O relatório recomenda limitar a exposição à radiação ultravioleta durante o transporte e a exposição no varejo de embalagens plásticas para alimentos, além de reformular componentes submetidos a alto estresse, como tampas e sistemas de fechamento.
O co-CEO e diretor de pesquisa da Earth Action, o doutor Julien Boucher, afirmou em entrevista que todos os tipos de embalagens analisados no relatório apresentaram tendência à liberação de partículas plásticas. Boucher afirmou que essa liberação pode ocorrer por estresse mecânico, como abrir, fechar ou apertar embalagens plásticas.
A outra principal via ocorre quando compostos plásticos reagem a condições físicas, como exposição à luz ultravioleta ou à luz solar, o que pode liberar microplásticos nos alimentos ou na água que a embalagem contém. Ele diz também que são necessárias mais pesquisas para determinar quanto da contaminação plástica vem de etapas anteriores da cadeia de valor, incluindo o processamento de alimentos e atividades agrícolas, em comparação com a própria embalagem.
Segundo a professora e doutora Winnie Courtene-Jones, da Bangor University, existem mais de 16.000 substâncias químicas diferentes utilizadas na produção de plásticos, incluindo mais de 4.000 que possuem propriedades reconhecidamente perigosas.
A pesquisa de Dr. Courtene-Jones sugere que alimentos gordurosos e ácidos, combinados com temperaturas elevadas, podem aumentar a migração de substâncias químicas presentes no plástico das embalagens para os alimentos. Ela também diz que é importante que a indústria do plástico evite o uso de substâncias perigosas e desenvolva produtos mais seguros e sustentáveis.
“As pessoas devem agir com cautela e adotar uma abordagem prática, buscando limitar nossa exposição sempre que possível”, afirmou a cientista. “Não conhecemos os efeitos de algumas dessas substâncias, e mesmo assim elas estão sendo utilizadas em embalagens de alimentos e em diversos produtos plásticos aos quais somos expostos regularmente.”
Fonte: Forbes
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