Para 49% dos pequenos empresários do país, sobe e desce da moeda americana afeta o negócio. Repassar o custo para o preço final é a solução para a maioria

Como a variação do dólar afeta as PMEs? O sobe e desce da moeda americana, que em agosto registrou o pico de R$ 2,44, tem impacto direto sobre a atividade empresarial e engana-se quem pensa que são apenas as multinacionais que têm de rever seus planos quando o dólar dispara ou despenca. Pequenos negócios também são afetados e precisam reajustar suas ações para diminuir o choque cambial.

É o que mostra uma pesquisa do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa, referente ao quarto trimestre, que mostra que 49% dos pequenos negócios brasileiros se sentem afetados pela variação cambial da moeda americana. Dentre esses empresários, a principal solução para compensar o sobe e desce é o repasse do custo maior dos insumos para o preço, seguido da opção da troca de fornecedores externos por locais – essa é a alternativa preferencial entre os empresários da Região Sul.

O professor e pesquisador do Insper José Luiz Rossi Junior analisa que é natural que a maioria das pequenas empresas brasileiras não sejam afetadas pela alta do dólar, já que elas são basicamente voltadas ao mercado interno e em grande parte do setor de serviços. Mesmo assim, chama a atenção na pesquisa o número de empreendimentos impactados pela variação cambial.

“O levantamento mostra que 49% das PMEs brasileiras dizem que são afetadas de alguma forma pela variação cambial. É um número muito grande para a nossa situação. A solução mais natural é o impacto no custo e como consequência há o repasse desse valor para o preço”, pondera.

É o que faria a empresária Luciana Bechara, proprietária de uma fábrica de roupa infantil, se o preço da próxima coleção já não estivesse fechado e sendo operado com os representantes comerciais. A coleção de verão foi tabelada em junho, antes da disparada do dólar em meados de agosto. A empresa de Luciana sofre menos porque ela não é afetada diretamente: o tecido que ela compra é produzido no país, mas os pigmentos que colorem a roupa são de fora. “Essas empresas repassam os preços para o tecido e ele acaba nos impactando”, afirma.

A próxima coleção deve ser reajustada, mas por ora, a alternativa encontrada por Luciana é a de adiar investimentos. “Vamos cortar, por exemplo, algum investimento em marketing e também em máquinas. Nos próximos seis meses devemos continuar com o maquinário atual”, pontua.

Nacionalização

Empresários do Sul preferem trocar de fornecedores

Ao contrário da maioria dos empresários brasileiros, quem tem uma pequena ou média empresa na Região Sul prefere trocar fornecedores de fora por locais a repassar o custo ao preço. Isso acontece, segundo especialistas, porque a região é mais industrializada que a média nacional e a oferta de fornecedores é maior que em outras partes do país.

José Luiz Rossi Junior, professor e pesquisador do Insper, avalia ainda que, na comparação com outras regiões, as PMEs do Sul têm um perfil mais exportador. “Os pequenos negócios sulistas são mais exportadores e estão mais inseridas no mercado internacional, o que significa que usam mais insumos importados também. Isso explica porque a principal medida é a troca de fornecedores de fora por locais”, analisa.

Essa substituição só acontece, pontua Richer de Andrade Matos, professor de Economia da FAE Centro Universitário, porque os fornecedores estão mais próximos.”Com a proximidade do mercado, é possível trocar o fornecedor sem arcar com alto custo por isso. Se, mesmo dentro do país, o fornecedor é de longe, o empresário pensa duas vezes antes de trocar. É mais fácil repassar, neste caso”, explica.

49% das PMEs brasileiras dizem que são afetadas de alguma forma pela variação cambial, segundo pesquisa do Insper. Para a maioria das empresas, a saída é repassar esse valor para o preço final.

Fonte: Gazeta do Povo / JOÃO PEDRO SCHONARTH