* Gilmar Duarte da Silva


Não resta dúvidas de que a união faz a força e todos ganham. Seleções com craques individualistas sucumbem. Quanto mais fraca é a classe, mais fortes e exploradores serão os falsos líderes.

O povo é manobrado pelas forças políticas que induzem o pensamento e a ação de acordo com o desejo dos mais fortes, ou talvez seja melhor dizer, dos mais organizados. Organizado aqui não é sinônimo de certo, justo, do bem ou patriota, mas quem faz de forma ordenada, pois estudou as etapas e analisou friamente para acontecer da maneira esperada. Assim deveria ser a maior parte das nossas ações, pois a organização propicia o desenvolvimento pessoal, da empresa ou da nação.

Algumas classes empresariais se esforçam para fabricar produtos ou prestar serviços de qualidade a preços justos, mas se deparam com imensas dificuldades para manter-se vivos neste mercado altamente volúvel. Grandes, médias e pequenas empresas, inexplicavelmente, desaparecem de um dia para o outro e isso desespera o empreendedor. A guerra ser vencida pelo mais forte já não é mais uma verdade, bem como o velho ditado “quem tem dinheiro faz dinheiro”. As verdades absolutas do passado passam a ser contos e novas verdades, que já não se perpetuam como dantes, são escritas. Reinventar-se é necessário e a chance de dar certo é maior se ocorrer de maneira organizada e unida.

A carreira solo já não garante a mesma perpetuação, então por que não formar um conjunto? Uma andorinha pode dar início à revoada, mas sozinha não garante o verão. É importante identificar os movimentos, cujas ações verdadeiras nos representam e levam ao bem comum da classe. Unidos alcançamos os objetivos. E quais são esses?

O empreendedor não deve traçar como meta única a obtenção de lucro, pois seria como um jogador de futebol que entra em campo apenas pensando em fazer gols. Seria um desastre. O gol é a consequência de uma equipe bem entrosada e unida que se defende e chega ao gol de toque em toque. Porém, se o gol não acontecer, o objetivo não foi alcançado, pois não é sempre que se pode jogar apenas pelo empate ou até aceitar a derrota.

Portanto, para ter sucesso, as empresas precisam prestar serviços ou produzir bens que atendam as necessidades dos clientes, gerem bons empregos, contribuam com o governo na arrecadação de tributos, sejam sustentáveis, ajudem no desenvolvimento da sociedade, mas sem deixar de fazer gol, ou seja, obter o lucro justo. O lucro é o bônus que incentiva o empreendedor a investir mais no próprio negócio ou em outros para fazer tudo o que foi citado no início deste parágrafo.

Líderes inidôneos devem ser substituídos, pois o contrário desistimulará a toda a equipe. Mas como fazer isto se geralmente esses líderes têm o poder na mão e podem nos prejudicar? Lembre-se: sozinha, uma andorinha não faz verão. A classe precisa discutir amplamente os objetivos e traçar metas. Objetivos estabelecidos por um pequeno grupo têm grande possibilidade de não encorajar as demais andorinhas.

A classe empresarial contábil é detentora de grande conhecimento, responsável pelo controle patrimonial, pela arrecadação de quase a totalidade dos tributos e necessária para a existência das empresas, porém desconhece o poder que tem para trazer justiça tributária e, especialmente, para se valorizar. É sabido que os clientes exploram seus serviços e remuneram muito mal, mas a culpa não é dos clientes, mas dos empresários contábeis que, irracionalmente, ainda fazem a carreira solo, quando é sabido que o conjunto bem organizado terá mais força!

Os caminhoneiros, muito explorados, mal remunerados, inferiores a tantas outras classes de trabalhadores e empregadores escreveram mais um capítulo de verdades do passado. Ele deram uma aula para a sociedade e o governo do quão são importantes e necessários à nação. Talvez a classe empresarial contábil consiga tirar algum aprendizado e em breve apresente um plano de valorização para exame da categoria.

* Gilmar Duarte da Silva: www.gilmarduarte.com.br