Temas como liderança, gestão de pessoas, saúde, sucessão empresarial e o novo cenário contábil foram debatidos no segundo dia do evento

“Liderar é revolucionar. É fazer a voz ecoar na mente e no coração das pessoas”. Desta forma que a palestrante Adriana Albuquerque iniciou o 2° dia do Encontro Nacional da Mulher Contabilista, em Foz do Iguaçu. A especialista falou de forma dinâmica e irreverente sobre o papel estratégico da mulher na liderança e na gestão de pessoas.

Adriana frisou o momento atual como forte influenciador do desenvolvimento. “Nunca se viveu uma era como esta. Conhecimento, tecnologia, informação. Tudo ao alcance de nossas mãos”, disse ao destacar a presença da mulher especialmente no cenário econômico. “46% das 500 maiores companhias do mundo possuem mulheres em cargos importantes e isso ocorre por sua capacidade de gestão de conflitos”, disse.  Além disso, parafraseou Albert Einstein ao contextualizar as dificuldades econômicas enfrentadas pelo País. “O mundo só fala em crise, mas é nela que nascem as invenções, o descobrimento, a estratégia.  A única crise é da incompetência. As pessoas que encaram essas dificuldades compreendem que são elas as responsáveis pelo seu legado, seja de sucesso ou fracasso”, destacou.

Saúde e felicidade

O médico Fernando Lucchese falou sobre saúde e bem-estar na palestra “Mulheres são líderes geradoras de saúde e felicidade”. Após expor as principais conquistas das mulheres na história, o médico refletiu sobre pesquisas que comprovem a maior vulnerabilidade da saúde feminina, com maior incidência de gripe, AVCs, joanetes e osteoporose. Além disso, o público feminino é o mais propício a sofrer com os males das chamadas “doenças da alma”, como a depressão, solidão e estresse, seja por características peculiares, seja por estímulos externos. “Somos nossos maiores inimigos, especialmente pelo estresse causado e pelos fatores do sedentarismo”, afirmou ao frisar que nem a profissão, nem a empresa devem ser o matadouro dos sonhos, mas uma fonte de prazer. Para tanto, o cardiologista indicou a prática de exercícios e do controle de colesterol e diabetes.

Desafios da governança

A governança corporativa e a sucessão nas empresas familiares foram tema de um painel que contou com a participação da conselheira da International Federação Internacional de Contadores (IFAC na sigla em inglês), Ana Maria Elorrieta. “Falar de empresas familiares é fundamental para o desenvolvimento econômico, pois 70% destas companhias morrem já a partir da segunda geração”, disse, ao citar conflitos de má gestão, abuso de poder, centralização, antigas rivalidades e dependência como causas da mortalidade destas organizações.  “A empresa familiar enfrenta o desafio de trabalhar com o coração e com a cabeça”, concluiu.

Sâmia Msadek, diretora de governança global de prática do Banco Mundial, afirmou que em momentos de dificuldades não podemos colocar apenas a culpa nos líderes. É preciso que todos participem de maneira mais efetiva em todos os campos, afinal, o que acontece em outros países sempre nos afeta e destacou as ações do Banco Mundial nesse sentido. “O Banco Mundial desenvolveu metas para erradicar a pobreza até 2030, para que as pessoas mais pobres também tenham acesso a serviços de qualidade. Pois acreditamos que a injustiça em qualquer lugar do mundo é um risco para a justiça de todo país”, comentou.  Ao falar sobre a contabilidade, a norte-americana afirmou que a profissão é poderosa. “Nós devemos transformar essa força para mudar o que queremos. É preciso trabalhar em parcerias e pensar de forma diferente e agir de forma ética, afinal, não agimos corretamente por termos atitude, mas angariamos isso ao agirmos corretamente”, disse.

Empresa familiar ou família empresária?

No Brasil, 85% das empresas têm característica familiar. Destas, 67% fecham as portas por problemas de sucessão, ainda que no auge da qualidade mercadológica. Para Manoel Knopfholz, especialista em treinamento e capacitação, é necessário que haja a migração do conceito de empresas familiares para famílias empresárias. “Também é preciso separar os ativos de maneira muito clara: o patrimônio, a família e a empresa, para não correr o risco de ficar sem nenhuma delas em caso de algo dar errado”, salientou. Mais do que isso, o especialista ainda comentou a importância de conversar sobre as relações familiares e não apenas sobre as empresas, destacando a atuação dos contabilistas como facilitadores deste processo.

O novo mercado contábil

Tratar dos desafios impostos para os profissionais da Contabilidade no mercado atual foi a proposta de mais um painel que reuniu profissionais nacionais e internacionais. A presidente da Federação Internacional de Contadores (IFAC), Olivia Kirtley, sugere a criação de relatórios integrados como alternativa eficaz dentro das empresas e nas comunidades, já que conectam departamentos e geram mudanças positivas dentro das organizações. Em sua visão, em pouco tempo haverá uma guerra de talentos e os melhores profissionais estão atrelados à Contabilidade. “São jovens líderes, inteligentes que querem fazer mais por suas carreiras, para que não sejam apenas integradores de dados, mas, de valores”, colocou, ao definir os contabilistas como peças fundamentais na identificação de soluções.

A necessidade de preparo em áreas consultivas também foi citada com nova possibilidade de atuação. Para isso, é fundamental reconhecer as habilidades e desenvolver pensamentos críticos e estratégicos. Como experiência internacional, Olivia destacou o trabalho voltado às comunidades. “As organizações que não se envolverem com os que mais precisam ficarão para trás na corrida internacional pela competitividade”, disse a presidente.

Meta de prosperidade

Jennifer Thomson, oficial de gerenciamento financeiro do Banco Mundial, trouxe sua experiência para os participantes e explicou que o órgão trabalha no gerenciamento dos fundos para que os países tenham suas necessidades básicas cumpridas. E como principal desafio, o Banco criou uma nova meta de prosperidade compartilhada, que pretende promover o aumento de 40% da renda dos mais pobres. E o Brasil é um dos países que integram o plano, segundo Jennifer. “O contabilista é fundamental nesse processo para garantir o uso de cada dólar no desenvolvimento. O que hoje acontece no Brasil, com essa situação delicada, reflete que em algum momento contabilistas falharam e não exerceram seu papel. Se esses profissionais não se esforçarem para se atualizar, a consequência pode ser similar ao que acontece hoje na Grécia”, relatou.

Perspectivas da profissão

Ernani Ott, presidente da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Ciências Contábeis, mostrou números relacionados ao crescimento da Contabilidade nos últimos anos. Segundo ele, as mulheres representam 58% em matrículas em cursos de Ciências Contábeis. “Nesse sentido, as entidades representativas também estão atuando de forma mais rigorosa, para que os estudantes saiam com mais que um diploma, mas uma formação crítica”, alertou.

Evolução tecnológica

A presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Paraná (CRCPR), Lucélia Lecheta, fez uma análise ampla no cenário, destacando a evolução tecnológica dos serviços relacionados à área. Conforme explicou, as mudanças não atingem exclusivamente processos, mais do que isso, envolvem gestão, com adoção de programas de qualidade e outros procedimentos. “Apesar disso ser bom, apenas 14% das empresas possuem tais programas e isso deve ser repensado. Também precisamos cuidar de nosso principal ativo, que são os colaboradores e nos preocuparmos para evitar o retrabalho, aproveitando oportunidades de negócio”, falou Lucélia.

A presidente também falou sobre negócios como serviço de contabilidade online, franquias na área da Contabilidade, entre outros, como alerta para evolução. “A perspectiva é de que muitos escritórios pequenos desapareçam. Por isso é preciso buscar visitas técnicas, implantar programas de qualidade, pensar em fusões empresariais. Afinal, muitas vezes nos preocupamos com o tamanho dos escritórios e esquecemos da lucratividade”, explanou.  

Paranaense na Abracicon

O contador paranaense Moacir Baggio teve honra especial durante mais um dia de evento. Ele foi nomeado o novo acadêmico da Academia Brasileira de Ciências Contábeis e assumirá a cadeira nº 78. São 50 anos voltados à atuação na área da Contabilidade, como professor, diretor, conferencista, contador do Tribunal de Contas da União, na Universidade Tecnológica Federal do Paraná, na Secretaria da Fazenda e no Ministério da Fazenda. “Cada vez mais a presença dos contabilistas é necessária para o desenvolvimento do País, seja no setor público ou privado”, revelou.

 

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