
Com a explosão do uso de inteligência artificial, streaming, cloud e serviços digitais, os data centers, aqueles “heróis invisíveis” da era digital, tornaram-se grandes consumidores de um recurso vital: a água. A explicação começa pelo calor gerado pelos servidores, que precisam ser resfriados 24 horas por dia para garantir desempenho e evitar falhas.
Muitas instalações recorrem a sistemas de resfriamento evaporativo (cooling towers), que chegam a evaporar até 80% da água usada, enquanto o restante é descartado como efluente.
Segundo estimativas da Agência Internacional de Energia (IEA), um data center de 100 MW — equivalente a uma pequena cidade — pode consumir cerca de 2 milhões de litros de água por dia, volume suficiente para abastecer mais de 6.500 residências.
Globalmente, a retirada anual de água para essas instalações chega a 560 bilhões de litros, podendo dobrar até 2030, impulsionada pelo crescimento da IA.
A situação se agrava quando esses centros são instalados em regiões já vulneráveis à escassez hídrica — como Texas, Arizona e partes do Brasil. Elas utilizam água potável para resfriamento, frequentemente a preços mais baixos que os domésticos, sem incentivo para conservar esse recurso precioso. O impacto vai além: a operação intensiva pressiona reservatórios locais, prejudicando agricultura e consumo humano, gerando conflitos sociais.
Embora investidores e empresas de tecnologia estejam se comprometendo com metas “water‑positive” — compensando mais do que consomem — a transparência ainda é escassa. Menos de um terço dos centros medem e reportam seu consumo de água. Especialistas alertam que, sem políticas robustas, apenas “compensar” não resolve: é preciso monitorar, reduzir e reutilizar cada gota.
Caminhos para redução e eficiência hídrica
Sescap‑PR + Verde: responsabilidade também na era digital
A campanha Sescap-PR + Verde é um convite à ação. Mais do que alertar sobre os impactos da economia moderna — como o elevado consumo de água por data centers — a iniciativa busca inspirar empresas e pessoas a adotarem práticas mais conscientes no dia a dia.
A proposta é simples: promover uma cultura de sustentabilidade que comece dentro das empresas, nas decisões de gestão e também nos hábitos individuais, que são levados para casa e ajudam a moldar o futuro do planeta.
Contadores e prestadores de serviço têm papel estratégico ao incorporar esses temas nos relatórios, planejamentos e orientações aos clientes. Porque ser verde não é uma obrigação, é uma oportunidade de liderar com responsabilidade, gerando valor para os negócios e para o planeta.
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