Ensine seu cliente a precificar com inteligência

Notícia publicada em 31/03/2025

Seu cliente ainda cobra “o que acha justo”? Está na hora de ajudá-lo a transformar o achismo em método — e você pode ser o guia nessa jornada rumo à lucratividade inteligente.

Você, contador, conhece os números. Mas e seus clientes? Muitos ainda precificam seus serviços ou produtos no chute, com base em quanto o concorrente cobra ou no que o cliente aceita pagar. Esse modelo amador custa caro — e você pode (e deve) ser o agente da mudança.

Como especialista em precificação e serviços contábeis, afirmo com segurança: ensinar seus clientes a precificar corretamente é uma forma de agregar valor, fidelizar e, principalmente, profissionalizar o relacionamento. E a boa notícia? Existe um caminho simples, que qualquer empreendedor pode seguir com sua orientação.

 

  1. A tríade da precificação: custo, concorrência e valor

A precificação começa com três pilares:

  • Custo: é o que se paga para produzir ou oferecer o serviço. Inclui despesas fixas e variáveis.
  • Concorrência: entender quanto o mercado cobra é importante — mas não deve ser o único fator.
  • Valor percebido: é o que o cliente leva. Está ligado à experiência, à confiança, aos resultados que ele acredita que terá.

O papel do contador é ajudar o cliente a identificar esses elementos e entender como eles impactam a formação do preço.

 

  1. Ensinando a calcular o preço mínimo

A primeira ferramenta é o cálculo do preço mínimo por hora, para prestadores de serviços. Ajude seu cliente a montar esse cálculo em quatro passos:

  1. Liste as despesas fixas mensais (aluguel, telefone, internet etc.);
  2. Identifique os percentuais de despesas e custos variáveis;
  3. Defina o número de horas disponíveis para trabalho produtivo;
  4. Estabeleça o percentual da meta de lucro.

Depois, use a fórmula:

Preço de Venda da Hora = Despesas Fixas / (1 – % Despesas Variáveis – % Lucro)

Esse número é o mínimo por hora que o cliente deve praticar por hora trabalhada para obter o lucro determinado.

 

  1. Ensine a dizer não aos erros mais comuns

Quantas vezes já ouvimos as frases como “vou cobrar baratinho só pra fechar” ou “depois eu aumento”? Ensine seus clientes a evitar esses erros:

  • Cobrar o que o cliente quer pagar, sem considerar os próprios custos;
  • Trabalhar de graça para “entrar no mercado”;
  • Esquecer de reajustar os preços com o tempo;
  • Não considerar o tempo demandado.

A precificação errada desgasta, desanima e mata bons negócios.

 

  1. Seja o contador que ensina com método

A grande maioria dos empreendedores precisa de um tradutor financeiro — e esse tradutor é você. Crie uma tabela prática de precificação para auxiliar o seu cliente. Mostre como reajustar com segurança. Sugira contratos simples com escopo bem definido. E, principalmente, ensine-o a dizer “não” quando necessário.

 

  1. A dica de ouro: valorize o seu tempo e o do cliente

Um serviço de contabilidade que entrega dados frios não fideliza. Mas um contador que ensina a ganhar mais dinheiro? Esse se torna indispensável.

 

Resumo prático:

  • Pare de aceitar que seus clientes cobrem no chute;
  • Ensine o tripé da precificação: custo, concorrência e valor;
  • Ajude a calcular o preço mínimo de forma prática;
  • Seja o contador que ajuda a transforma números em decisões inteligentes.

Você pode começar essa transformação hoje mesmo. Afinal, como diz o lema: “Se você não define seu valor, o mercado fará isso por você — e será menos do que você merece.”

 

Palavras chaves: tempo, cliente, precificação, valor percebido, preço mínimo, contador, custo, hora trabalhada.

 

Gilmar Duarte é palestrante, contador, diretor do Grupo Dygran e autor de livros de precificação para o setor de serviços e comércio. 30/03/2025.

 

 

 

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