
Empresa de serviços não tem chaminé e muitas casas também não. Por isso, quase ninguém se pergunta quanto polui. Mas polui.
E o problema está em três itens que não parecem lixo.
O comprovante de cartão e o cupom fiscal não são papel comum. São papel térmico, revestido com bisfenol A ou bisfenol S, substâncias que interferem no sistema hormonal.
Quando esse papel entra no fardo da coleta seletiva, o bisfenol pode passar para os outros papéis do lote.
Ou seja: quem separa papel com capricho e joga o cupom junto está contaminando o material que estava certo. Papel térmico vai para o rejeito.
O tema já está no Congresso. Segundo a Agência Câmara, o Projeto de Lei 2844/24 quer proibir a fabricação e a importação desse papel com bisfenol acima de 0,02% do peso, e já passou pela Comissão de Defesa do Consumidor.
Aqui está a surpresa. Muita empresa que digitalizou tudo e parou de imprimir acabou poluindo mais, porque começou a guardar sem limite.
O nome disso é dark data: o dado que a empresa armazena e nunca mais usa. Backup repetido em três nuvens, XML de dez anos atrás, anexo de e-mail duplicado dezenas de vezes.
Pesquisa de Ian Hodgkinson, da Universidade de Loughborough, estima que 68% dos dados guardados pelas empresas jamais são reutilizados. Um estudo da Veritas calculou, em 2020, que manter dado inútil em data center lançaria 6,4 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera naquele ano.
Papel esquecido fica parado. Arquivo digital esquecido consome energia 24 horas por dia.
E tem um detalhe que interessa ao bolso: a lei fiscal manda guardar documento por um prazo, não para sempre. A LGPD, aliás, pede o caminho contrário, eliminar o dado quando a finalidade acaba.
Todo escritório ou casa tem o seu. Micro antigo, nobreak com bateria estufada, HD que ninguém formatou.
E existe um bom motivo para estar ali: o sigilo do cliente impede o descarte simples, e poucos sabem apagar a mídia com segurança. O resultado é resíduo perigoso estocado no fundo da sala.
O Monitor Global de Resíduos Eletrônicos 2024, da ONU com o UNITAR, mostra que o Brasil produz cerca de 2,4 milhões de toneladas por ano.
Por onde começar
Defina até quando cada documento precisa ficar guardado e apague o resto.
Separe papel térmico do papel reciclável.
Levante o que existe no armário de equipamentos e procure empresa habilitada, com comprovante da destruição da mídia.
Torne-se um associado do SESCAP-PR
e aproveite inúmeros benefícios e serviços.