CEO da Omiexperience compartilhou as técnicas das empresas do Vale do Silício com empresários em Curitiba

Quando se fala nas técnicas adotadas pelas empresas e startups do Vale do Silício, parece impossível de aplicá-las em empresas que não estejam fortemente ligadas à tecnologia. Mas isso não é verdade. Marcelo Lombardo, CEO da Omiexperience, compartilhou suas experiências com empresários em Curitiba e afirmou que um dos segredos do pensamento exponencial é a mudança de mindset: é possível crescer muito rápido e adquirir uma grande base de clientes com a aposta em modelos disruptivos. Lombardo apresentou esta e outras técnicas no workshop realizado pelo SESCAP-PR, nesta quarta-feira, dia 13.

Ao apresentar casos de startups que se tornaram unicórnios, ou seja, que possuem avaliação de preço de mercado superior a US$ 1 bilhão, Lombardo destacou que o primeiro fator a observar é o modelo de crescimento estabelecido pela empresa. “Não se permite mais que a empresa demore 20, 30 anos para crescer. É preciso focar no crescimento de 2 a 3 anos e isso envolve, inclusive, a necessidade de pivotar o modelo de negócio”, afirmou. E isso acontece primeiro com a aquisição de clientes, para depois seguir para um novo modelo focado em receita, o que pode acontecer, em sua primeira etapa, com a busca de investimentos.

E, diferentemente do modelo tradicional, onde tempo é dinheiro, nas empresas exponenciais, o dinheiro é tempo, ou seja, é preciso construir soluções dominantes de forma rápida.

Modelos disruptivos

Outro ponto é a aposta em modelos disruptivos. “O que fazer para mudar o jogo?”, questiona Lombardo. Para ele, é preciso analisar modelos comerciais e operacionais a partir do conhecimento do mercado, considerando as ondas de inovação disruptiva, nas quais estão no mercado inicial os inovadores e os visionários. Na primeira onda estão os pragmáticos, na segunda, os conservadores e como retardatários do processo, os céticos. “Entre visionários e pragmáticos há um abismo da morte”, disse Lombardo ao citar o exemplo da TV 3D, que não caiu no gosto do consumidor como o planejado.

E uma pesquisa feita pela Omie apontou que os visionários são pessoas que estão ligadas a entidades de representação, como o caso de Sescaps e Sescons, e são eles que instigam os pragmáticos a aderirem aos produtos e serviços utilizados por eles, como indicou o especialista.

E para que se atinja a visão exponencial, é fundamental ter estratégias de posicionamento tático e de marketing que conversem com as ações da empresa.

O terceiro ponto a se considerar é o das decisões com conjunto de KPIs diferentes. Enquanto que em empresas tradicionais se analisam indicadores como faturamento, margem líquida e índice EBITDA, nas startups o que importa são o custo de aquisição por cliente (CAC Payback), a margem bruta, a perda de clientes (churn) e o valor do ciclo de vida do cliente (LTV).

Transição: do tradicional ao exponencial

Mas e como fazer essa transição? Marcelo Lombardo reafirma a importância de focar no modelo mental, o que exige do líder a ambidestria, que trabalha no modelo tradicional e na formatação de processos inovadores ao mesmo tempo. Ele citou o modelo da IBM, focado nas oportunidades de mercados emergentes. A organização americana trabalha com três horizontes: o de negócios maduros, de crescimento de negócios e de futuros negócios, que já desenvolve soluções para a segunda geração da disrupção. Mas para que tudo isso aconteça em qualquer empresa, Lombardo destaca a necessidade de critérios como alinhamento estratégico, nova fonte de valor, aproveitamento de ativos e o potencial estratégico do negócio.

“Para ser um líder ambidestro, é preciso ter metas globais, alinhamento, consenso, senso de superação, manter as tensões no topo e saber conviver com as inconsistências, porque esse é um processo de descobertas”, afirmou.  E, ao fim, instigou os empresários à mudança de pensamento: “Se você quer voar como as águias pare de nadar com os patos”.